A Gamescom 2026 foi o palco escolhido pela Dlala Studios para revelar ao mundo o seu projeto mais ambicioso até hoje. Conhecida por ter dado vida a títulos como Disney Illusion Island e Battletoads, a desenvolvedora baseada em Essex decidiu finalmente trilhar o caminho da independência com Murals. O trailer de revelação não apenas confirmou a existência do título, como estabeleceu uma identidade visual e mecânica que promete ser o novo carro-chefe do estúdio, com lançamento previsto para 2027 no PC.
O jogo nos transporta para um universo onde fábulas clássicas — histórias que moldaram o imaginário coletivo — foram capturadas e corrompidas por uma força antagônica misteriosa. A premissa é clara: o jogador assume o papel de um herói que deve mergulhar literalmente nas páginas desses contos para restaurar a ordem. O que chama a atenção de imediato é a direção de arte. O estúdio optou por uma estética que simula pinturas a óleo em movimento, criando um contraste fascinante entre a beleza vibrante das ilustrações manuais e a atmosfera sombria das arenas de combate onde o jogador enfrenta hordas de monstros e chefes temáticos.
O desafio da transição para o combate
Embora a Dlala Studios tenha consolidado sua reputação em gêneros focados em plataforma e aventura, Murals marca uma mudança de paradigma. O combate isométrico, acelerado e focado em esquivas precisas, uso tático de feitiços e gerenciamento de recursos, coloca o estúdio em um território competitivo. A estrutura de jogo, que muitos associam ao gênero action-roguelike devido à progressão por masmorras e ao acúmulo de artefatos conhecidos como Eeries, exige uma adaptação constante do jogador. No entanto, a recepção inicial aponta para uma possível divergência na classificação: enquanto a natureza procedural de um roguelike é frequentemente citada, há indícios de que o título possa oferecer uma progressão mais estruturada e linear, o que diferenciaria a experiência de outros expoentes do gênero.
O sistema de Eeries parece ser o coração da customização, permitindo que o jogador crie combinações únicas de habilidades para enfrentar os desafios de cada conto. Além da mecânica, o tom da narrativa se destaca pelo humor sarcástico e diálogos afiados, que permeiam tanto as interações com NPCs quanto o próprio desenrolar dos combates. Essa escolha de tom ajuda a aliviar a tensão das arenas, conferindo ao jogo uma personalidade distinta que evita a seriedade excessiva comum em muitos RPGs de ação.
Uma aposta estratégica para a Dlala Studios
O fato de Murals ser a primeira propriedade intelectual original da Dlala Studios em mais de uma década, e o primeiro título autopublicado pelo estúdio, carrega um peso industrial significativo. A transição de desenvolvedora de trabalhos licenciados para criadora de sua própria IP reflete uma busca por liberdade criativa e controle total sobre o produto final. A recepção positiva ao visual do jogo durante a Gamescom sugere que o público está pronto para ver o que a equipe é capaz de realizar quando não está limitada por propriedades de terceiros.
Contudo, o desafio permanece: o estúdio precisa provar que consegue sustentar um loop de jogabilidade complexo e recompensador a longo prazo. A ausência de confirmação para consoles, restringindo o lançamento inicial ao PC via Steam, indica um foco deliberado na otimização e no polimento da experiência antes de uma possível expansão para outras plataformas. Enquanto aguardamos por mais detalhes sobre a profundidade do sistema de combate e a extensão da campanha, Murals já se posiciona como um dos títulos independentes mais intrigantes para o horizonte de 2027, equilibrando a nostalgia dos contos de fadas com uma execução técnica que não tem medo de distorcer o que já conhecemos.


